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10/08/2017 Por: Jacirlei Soares Santos - Diretor da Casteval e presidente da ADEMI-PR

Por um futuro mais racional.

O mercado de imóveis tende a recuperar suas perdas recentes a partir do primeiro semestre de 2018 e devemos compreender que seu dinamismo, embora esteja atrelado ao desempenho da economia brasileira, tem particularidades relevantes que merecem atenção.

Assim como se altera a performance em determinados clusters e outros permanecem estagnados, podemos observar como o ponto fundamental para compreender como operar em nosso segmento será analisar múltiplas operações possíveis e que não há negócios corporativos possíveis sem que o Real State esteja presente, ou seja, a retomada da economia fará surgir novos empreendimentos em áreas distintas.

Assim, o escopo abrangente do investidor será retomado com olhar para um futuro econômico mais racional, no qual o desenvolvimento de negócios imobiliários passa a ter um portfólio amplo que vai desde o cemitério, passando pelo condomínio industrial, strip malls, selfstorage, cowork, shoppings, estacionamentos, hospitais, clínicas, edifícios comerciais e residenciais até condomínios fechados horizontais.

E modelos de operação consorciada, antes desprezados, passam a ter relevância na pauta, contribuindo para a modelagem de planos de negócios com maior ênfase na análise de risco, melhor elaboração dos projetos de engenharia e arquitetura (custos) e a necessidade premente de melhorar a assertividade no desenvolvimento de produto, cercando a área de P&D de muita pesquisa, informação e simulações.

Outro fator relevante daqui para frente será a diretriz comercial adotada pelas empresas e seus escopos de atuação junto ao mercado consumidor. Do marketing digital Inbound – que permite avaliar todo o caminho do cliente desde quando era suspect – até a postura dos corretores, relatórios, investimentos em ações promocionais e aperfeiçoamento do atendimento técnico e técnicas de negócio serão, obrigatoriamente, adaptados a um novo tempo de maior valorização do dinheiro circulante.

É certo que a crise gerou um movimento sísmico na ordem das classe sociais e que este movimento nos fará criar produtos adequados para esta nova classe média, que surge mais embasada na realidade de médio prazo, menos interessada em novidades que não sejam úteis de fato e para a qual preço e condições serão determinantes. Já a classe tida como baixa, para a qual são criados os imóveis econômicos e supereconômicos passará a exigir maior qualidade construtiva – ausente nos imóveis do programa Minha Casa Minha Vida – e planejamento urbano coerente, uma vez que cerca de 70% destes conjuntos habitacionais se converteram em locais ermos e sem segurança. A classe alta buscará com mais ênfase por novidades, tecnologia e segurança, mas um aspecto tem sido determinante na escolha de imóveis premium: a personalidade do imóvel. Portanto, a arquitetura será atributo mais que valioso para estimular quem tem patrimônio e está bem instalado, a substituí-lo.

Um novo mercado irá emergir da crise e cobrará dos empresários mais ação do que nunca e total envolvimento com as nuances do segmento que tende a se reerguer inclinado à racionalização.

É possível que tenhamos margens enxutas por um bom tempo, efeito causado pela elevada pressão mercadológica, mas a tendência de valorização encontra viés de alta naquilo que sempre foi a âncora econômica dos brasileiros que é o patrimônio imobiliário.

Seja como for, o mercado ressurge cobrando preparo, ensaios, análises prévias, união e qualidade como conceito fundamental. Nada que surpreenda aqueles cujo papel em nosso segmento é impulsioná-lo rumo a um futuro melhor.

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